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Trânsito deixa milhares de feridos e pressiona rede pública de saúde no Rio de Janeiro

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Todos os dias, vítimas de colisões, atropelamentos e quedas chegam às unidades de saúde carregando histórias interrompidas por segundos de distração, imprudência ou falhas nas vias. Neste mês de conscientização do trânsito, os números reforçam uma realidade preocupante: os acidentes continuam deixando milhares de feridos e mortos, além de sobrecarregar o sistema público de saúde.

Dados da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) mostram que, somente ao longo de 2025, 13.637 pessoas foram internadas por acidentes de trânsito em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado.

Os motociclistas aparecem como as principais vítimas, representando mais de 65% das internações. Foram 8.986 casos registrados no período. Em seguida aparecem pedestres, com 2.240 internações; ciclistas, com 1.070; e ocupantes de automóveis, com 718 casos.

Em 2026, até março, a situação continua chamando atenção. Já foram registradas 2.272 internações relacionadas ao trânsito, sendo 1.496 motociclistas, 375 pedestres, 178 ciclistas e 136 ocupantes de carros.

Os números também revelam o impacto mais grave dessa realidade: a perda de vidas. Segundo os dados da SES-RJ, foram registrados 1.342 óbitos por acidentes envolvendo veículos de transporte em 2025. Em 2026, até 18 de maio, já haviam sido contabilizadas 340 mortes.

Mais do que estatísticas, especialistas apontam que os dados refletem mudanças importantes na dinâmica da mobilidade urbana, especialmente pelo aumento da circulação de motocicletas nas cidades. O crescimento de serviços de entrega e transporte por aplicativo ampliou a presença desses veículos nas ruas, aumentando a exposição a riscos diários.

Maio Amarelo: quando a campanha vira um alerta social

Criado em 2014, o movimento Maio Amarelo nasceu com a proposta de chamar a atenção para os altos índices de acidentes e mortes nas vias. A campanha é inspirada em uma resolução da Organização das Nações Unidas aprovada em 2011, que instituiu uma década de ações voltadas para a segurança no trânsito.

A cor amarela foi escolhida por representar atenção e advertência, em referência direta à sinalização semafórica.

Neste ano, o movimento reforça a necessidade de olhar o trânsito além dos veículos e enxergá-lo como um espaço coletivo, ocupado por pessoas e vidas em movimento. Entre os principais focos estão o combate ao uso do celular ao volante, excesso de velocidade, consumo de álcool antes de dirigir e outras práticas consideradas fatores de risco.

Família, vítima do acidente de trânsito é socorrida pelos bombeiros e atendida no Hospital Estadual Alberto Torres – HEAT. Divulgação.

O impacto além das ruas

Os acidentes também produzem consequências que vão além do momento da colisão. Internações prolongadas, cirurgias, tratamentos de reabilitação e afastamentos do trabalho fazem parte da rotina de milhares de famílias afetadas.

O perfil das vítimas em âmbito nacional mostra ainda que homens adultos em idade produtiva estão entre os mais atingidos. Além do impacto humano, os acidentes geram custos significativos para a rede pública de saúde e para a economia.

Enquanto campanhas educativas reforçam mensagens de prevenção, os números revelam que o desafio continua sendo transformar conscientização em mudança de comportamento. Porque, para quem está nas estatísticas, o trânsito deixa de ser apenas deslocamento e passa a representar uma mudança definitiva de vida.

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