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Governo e setor privado saem em defesa do Pix após ofensiva dos EUA

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O sistema de pagamentos instantâneos Pix voltou ao centro das discussões comerciais entre Brasil e Estados Unidos após o governo norte-americano incluir a ferramenta entre os argumentos que embasam a proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

Durante agenda em Goiás nesta terça-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a medida anunciada pelos Estados Unidos e afirmou esperar que o presidente Donald Trump reveja a decisão. Segundo Lula, as negociações entre os dois países seguem em andamento e o prazo para conclusão das tratativas vai até 15 de julho.

Ao comentar o tema, o presidente brasileiro defendeu o Pix e afirmou que o sistema preocupa empresas ligadas ao setor de cartões de crédito por oferecer transferências gratuitas e instantâneas aos consumidores.

“O Pix é público, gratuito e facilita a vida das pessoas. Em vez de temer o sistema, os Estados Unidos poderiam adotar uma ferramenta semelhante”, declarou Lula durante o evento.

A discussão ganhou força após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) apontar que o Banco Central do Brasil estaria concedendo vantagens ao Pix, o que poderia afetar empresas americanas que atuam no mercado de pagamentos eletrônicos.

“Empresas de cartão se beneficiam do Pix. Não há concorrência desleal”, diz CEO da PagBrasil.

Especialistas do setor, no entanto, contestam essa interpretação. Para Alex Hoffmann, CEO da PagBrasil, não há fundamento técnico para classificar o Pix como uma prática comercial desleal.

Segundo o executivo, o sistema foi criado pelo Banco Central com objetivos de política pública, como ampliar a inclusão financeira, reduzir custos das transações e modernizar a infraestrutura de pagamentos do país.

“O Pix não foi concebido para competir com empresas estrangeiras. Instituições financeiras internacionais que atuam no Brasil também participam do sistema sob as mesmas regras regulatórias”, afirmou Hoffmann.

O executivo destaca ainda que o crescimento do Pix não impediu a expansão do mercado de cartões. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) mostram que as transações com cartões movimentaram R$ 4,5 trilhões em 2025, mais que o dobro do registrado em 2020, ano de lançamento do Pix.

Embora o sistema de pagamentos instantâneos já represente mais da metade das transações realizadas no país, o volume financeiro movimentado pelos cartões continuou crescendo no mesmo período.

Alex Hoffmann – Divulgação

Para Hoffmann, a inclusão do Pix entre os argumentos utilizados pelos Estados Unidos faz parte de uma estratégia mais ampla de negociação comercial. Ele observa que, além do sistema de pagamentos, o relatório norte-americano também cita temas como o comércio popular da Rua 25 de Março, o etanol e questões ambientais.

Pix no Chile – Divulgação PagBrasil

Enquanto as negociações diplomáticas continuam, o Pix segue consolidado como o principal meio de pagamento utilizado pelos brasileiros, ampliando sua participação no mercado financeiro e atraindo atenção internacional sobre o modelo adotado pelo país.

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