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‘Mataram a família de novo’, diz mãe de João Pedro após decisão

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A sentença foi proferida nesta terça-feira (9)


|  Foto:
Arquivo / Enfoco

A família de João Pedro, adolescente de 14 anos assassinado durante uma operação no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, manifestou-se sobre a decisão da Justiça de absolver sumariamente os três policiais acusados pelo caso. A sentença foi proferida nesta terça-feira (9).

Em entrevista exclusiva ao ENFOCO, a mãe do jovem, Rafaela Santos, compartilhou sua indignação com a absolvição dos agentes, que para ela representa “mais de quatro anos de impunidade”.

Leia +: Caso João Pedro: policiais são absolvidos pela morte de adolescente

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Estamos indignados com a falta de consideração



Rafaela Santos,

mãe

“Inesperado. Ficamos muito abalados com a notícia. Esperávamos que o caso fosse a júri popular, mas nem isso aconteceu. É uma decisão que mata a família mais uma vez. Estamos indignados com a falta de consideração e respeito demonstrados por essa escolha. São mais de quatro anos de impunidade”, desabafou Rafaela.

‘Legítima defesa’

O caso ocorreu em 18 de maio de 2020. Os agentes Mauro José Gonçalves, Maxwell Gomes Pereira e Fernando de Brito Meister eram réus por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e fútil, e respondiam em liberdade.

Houve troca de tiros dentro da residência



Juliana Bessa,

juíza

Na decisão desta terça-feira, a juíza Juliana Bessa Ferraz Krykhtine, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, entendeu que os policiais agiram apenas em legítima defesa. “Após a análise das peças técnicas, houve troca de tiros dentro da residência de João Pedro”, citou na sentença.


Familiares esperavam levar o caso a júri popular


|  Foto:
Arquivo / Enfoco

Este argumento, entretanto, na visão da família que esperava levar o caso a júri popular, é totalmente irracional e não corresponde à realidade.

Não houve nenhum sinal de ameaça real



Rafaela Santos,

mãe

“É um argumento absurdo baseado em coisas que foram forjadas. Não houve confronto. Não entendemos o argumento. Alegar legítima defesa nessas circunstâncias é completamente irracional. Não houve nenhum sinal de ameaça real que justificasse os tiros”, declarou a mãe.

Sensação de impunidade

Diante dessa decisão, Rafaela e os familiares demonstram interesse em recorrer da sentença.

Vamos recorrer e continuar lutando



Rafaela Santos,

mãe

“A justiça claramente decidiu pela impunidade de um crime. Estamos assistindo a isso sem poder fazer nada. É uma injustiça gritante que nos deixa sem palavras. Vamos recorrer e continuar lutando até que a verdade prevaleça e a justiça seja finalmente feita. A luta continua”, enfatizou Rafaela.


“Na favela, a polícia tira vidas”, afirma Rafaela Santos, mãe de João Pedro


|  Foto:
Karina Cruz

Questionada se a origem de João Pedro, jovem de comunidade, influenciou na maneira como a Justiça tratou o caso, Rafaela não hesitou em afirmar:

Essa é a realidade diária do estado do Rio de Janeiro



Rafaela Santos,

mãe

“Com certeza influenciou. Não podemos ignorar que, na favela, a polícia não só aponta a arma, mas também tira vidas. Isso é um absurdo que não pode ser esquecido. Essa é a realidade diária do estado do Rio de Janeiro que precisamos enfrentar todos os dias.”

O caso

O caso ocorreu em 18 de maio de 2020, durante uma operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. João Pedro foi baleado e morto aos 14 anos após a polícia invadir sua casa. O relato da família descreve um cenário de terror, com policiais atirando sem consideração pela presença de crianças na residência.

O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou três policiais por homicídio e fraude processual. As sete audiências ocorridas ao longo desses anos incluíram depoimentos de testemunhas de acusação, policiais federais e delegados da Polícia Civil responsáveis pela investigação do crime.

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