João Gomes, do Novo, não será mais candidato à Prefeitura de Niterói
A saída de João Gomes (Novo) da disputa à Prefeitura de Niterói é o estopim de racha interno no diretório municipal da sigla.
Em uma carta, ele acusou o filiado Renato Quintanilha, então assessor do deputado federal Carlos Jordy (PL) – opositor de Gomes no pleito – por incentivar uma manobra para tentar impedir a candidatura de Alexandre Ceotto, também do Novo, ao cargo de vereador.
A situação causou grande desconforto em João Gomes. No entanto, com maioria na votação – oito votos contra um -, o diretório excluiu Ceotto da nominata.
“Na recente convenção do dia 22 de julho, dois filiados, representando ausentes por procuração, votaram pela impugnação da candidatura de um postulante a vereador aprovado no processo seletivo do partido. Os votos destes filiados, mais os votos dos ausentes (por eles representados), foram fundamentais na formação da maioria para a impugnação da referida candidatura […] Mesmo operando legalmente, a ação causou desconforto, especialmente pelo fato de um dos promotores desse movimento ser funcionário do gabinete de Carlos Jordy”, diz um trecho da carta.
Ao ENFOCO, a presidente do diretório municipal do Novo, Andréa Rocha de Carvalho, garante que tudo seguiu de acordo com o estatuto.
A Convenção seguiu todos os ritos do estatuto do Partido Novo, bem como a legislação vigente. Todo processo foi legal e democrático
Andréa Rocha de Carvalho,
presidente do Partido Novo em Niterói
Carta de João Gomes anunciando sua desistência
O Novo, partido ao qual João Gomes é filiado, também postou uma nota em suas redes sociais informando sobre a decisão.
“Informamos a todos os filiados, apoiadores e simpatizantes a desistência de João Gomes ao pleito majoritário em nossa cidade. O Partido Novo segue em frente com a nominata de vereadores, aprovada em recente convenção, na luta por uma Niterói melhor e na defesa de nossos princípios e valores”, escreveu.
O que diz o Partido Novo?
Andrea Carvalho esclareceu a situação e lamentou a decisão de João Gomes.
“O processo de Convenção Eleitoral do Partido Novo é transparente e democrático, dando poder aos filiados do Novo na cidade, decidirem quem serão os candidatos representantes do nosso partido naquele pleito. A decisão de quem vai ser ou não candidato não depende de uma única pessoa, mas sim da maioria dos filiados aptos presentes ou representados no ato da Convenção. Lamentamos, porém respeitamos a decisão do João em desistir das eleições deste ano. Foi uma decisão pessoal”, frisa a nota da presidente do diretório municipal do Novo.
Apoio
Perguntado sobre quem será o substituto de João Gomes na corrida à Prefeitura de Niterói, o Novo afirmou que em breve irá emitir um comunicado oficial versando sobre quais apoios a majoritários não serão permitidos neste ano, “adiantando que Rodrigo Neves (PDT) e Talíria Petrone (Psol) fazem parte desta lista”.
“O partido Novo participará das eleições municipais, de forma independente, com pré-candidatos a Vereador que foram aprovados no processo seletivo interno e na convenção municipal, e representam nossos princípios e valores”, pontuou.
Carlos Jordy se defende
Em sua defesa, Carlos Jordy negou ter envolvimento em uma possível manobra para impugnar Ceotto a vereador de Niterói e afirmou que está focado em sua campanha.
“Não tenho nenhuma relação com a decisão tomada pela executiva do Partido Novo sobre suas indicações para quaisquer cargos nas próximas eleições. Tivemos diversas conversas sobre um possível apoio do Novo à minha candidatura logo no 1° turno e concordamos que seria melhor para a eleição e para a democracia que João Gomes fosse candidato. Minha preocupação é com a minha campanha e com as necessidades da população de Niterói, e não com nominata de vereadores de um partido que não é meu adversário”, explicou Jordy.
Assessor exonerado
O pré-candidato do PL ainda relatou que Renato Quintanilha já foi exonerado do cargo que exercia em seu gabinete.
“É leviano tentarem me culpar por qualquer movimento relacionado a vereadores. Estou dedicado à minha candidatura a prefeito, a enfrentar a máquina com suas 70 secretarias e todo poder financeiro. Não perco energia com nada que não possa contribuir com o projeto de uma nova Niterói”, disse.
Por fim, Jordy pediu que João Gomes repense sobre a decisão, afirmando que sua presença é importante para um ambiente democrático.
“Para o bem da política niteroiense, espero que o João Gomes repense sua posição. Sua presença é importante para que possamos ter um ambiente democrático e com mais representatividade na eleição”, finalizou o pré-candidato.
Outros citados
Procurados pela reportagem, Alexandre Ceotto e Renato Quintanilha não retornaram o nosso contato até o momento da publicação da matéria.


