
A Acadêmicos de Niterói abriu os desfiles do Grupo Especial do Carnaval 2026, na noite deste domingo (15), com uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Estreante na elite do carnaval carioca, a escola levou à Marquês de Sapucaí o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que narrou a trajetória pessoal e política do presidente, da infância no agreste pernambucano ao atual terceiro mandato.
O desfile contou com mais de 3 mil componentes, distribuídos em 25 alas e cinco carros alegóricos, e teve duração de 79 minutos, dentro do tempo máximo permitido. Além de Lula, a apresentação trouxe representações de outros ex-presidentes do Brasil. Dilma Rousseff e Michel Temer apareceram na narrativa, enquanto Jair Bolsonaro foi retratado de forma satírica, como um palhaço.
Comissão de frente simboliza mudanças na Presidência
A comissão de frente apresentou uma encenação teatral que simbolizou as mudanças recentes no comando do país. Na coreografia, Lula entrega a faixa presidencial a Dilma, que depois é retirada por Temer e passada a Bolsonaro, até ser recuperada por Lula. O cenário simulava a rampa do Palácio do Planalto, reforçando o tom político da apresentação.
Infância no Nordeste e migração para São Paulo
As primeiras alas retrataram a infância de Lula no Nordeste, com fantasias inspiradas em animais presentes em lendas populares de Pernambuco. Em seguida, o carro abre-alas trouxe esculturas da fauna do agreste pernambucano, com o nome “Niterói” em destaque, marcando a identidade da escola.
O desfile também abordou a migração da família de Lula para São Paulo, na década de 1950, motivada pela seca no Nordeste. O segundo carro alegórico, intitulado “Pro destino retirante”, reuniu símbolos da fé de Dona Lindu, mãe do presidente, referências ao cangaço e um caminhão pau de arara, representando a trajetória dos retirantes nordestinos.
Da metalurgia à luta sindical
A narrativa seguiu com alas que lembraram o período em que Lula trabalhou como engraxate, sua entrada na indústria metalúrgica e o início da atuação sindical. Essa fase foi representada pelo ator e humorista Paulo Vieira. O presidente acompanhou o desfile do camarote do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e chegou a descer à avenida para cumprimentar o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Emanuel Lima e Thainara Matias.
A bateria, comandada por Branco Ribeiro, teve Vanessa Rangeli como rainha e apresentou figurinos inspirados no período em que Lula atuou como metalúrgico, com detalhes em tons dourados.
Trajetória política e chegada à Presidência
O desfile avançou para a fase política, com alas que relembraram a histórica greve dos metalúrgicos do ABC Paulista e a fundação do Partido dos Trabalhadores. A velha-guarda celebrou a primeira posse presidencial de Lula.
O terceiro carro alegórico trouxe uma grande escultura do presidente com estética metálica, acompanhada por uma fábrica em funcionamento na parte inferior, simbolizando o período entre as derrotas eleitorais e a chegada à Presidência da República, entre 1989 e 2002.
Mandatos presidenciais e encerramento simbólico
Na sequência, a escola destacou os primeiros mandatos presidenciais. A penúltima alegoria representou a melhoria nas condições de vida da classe trabalhadora, com referências ao acesso à educação e à alimentação. Componentes desfilaram com diplomas de graduação e o sobrenome “da Silva”, em alusão às origens populares do presidente.
O encerramento ficou por conta de uma alegoria inspirada na arquitetura de Brasília, com uma escultura de Lula de punho erguido no topo. Na parte inferior, integrantes desfilaram com bandeiras do Brasil em diferentes estampas, simbolizando a diversidade do país. As alas finais abordaram o terceiro mandato presidencial, associado à ideia de retomada. No fechamento do desfile, a figura do palhaço que representa Bolsonaro reapareceu, desta vez atrás de grades.
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