
A escola de samba União de Maricá desfilou na madrugada de sábado (14/02) na Marquês de Sapucaí com um enredo que exaltou a memória, a identidade e a ancestralidade da mulher negra. A apresentação contou com o apoio da Prefeitura de Maricá e foi acompanhada pelo prefeito Washington Quaquá. Um espetáculo de drones integrou a narrativa do desfile e chamou a atenção do público presente na avenida.
Para Quaquá, a presença da escola na Sapucaí representa a realização de um sonho coletivo. Segundo ele, Maricá sempre acreditou que era possível chegar à passarela do samba. O prefeito destacou ainda que, assim como a Beija-Flor de Nilópolis marcou uma revolução no Carnaval carioca na década de 1970, a União de Maricá chega com a proposta de inovar o espetáculo neste início de século 21.
O enredo foi desenvolvido a partir de três pilares centrais: “Negra Bahia”, “Joias: Memória Ancestral” e “Berenguendéns e Balangandãs”. A narrativa reuniu referências ao Recôncavo Baiano, às ganhadeiras e aos processos de ressignificação de poder, pertencimento e resistência protagonizados por mulheres negras ao longo da história.
No primeiro setor, intitulado “Negra Bahia”, a escola apresentou o contexto histórico e territorial da Bahia escravocrata, destacando o cotidiano urbano e o papel das mulheres negras trabalhadoras na construção de um patrimônio cultural coletivo. Entre os destaques estiveram a comissão de frente, coreografada por Patrick Carvalho, o casal de mestre-sala e porta-bandeira Fabrício Pires e Giovanna Justo, além da participação performática de Carlinhos Salgueiro.
O segundo setor, “Joias: Memória Ancestral”, aprofundou as influências que deram origem aos balangandãs, reunindo heranças africanas, elementos portugueses e a dimensão ritual e simbólica dos metais. Já o terceiro setor, “Berenguendéns e Balangandãs”, apresentou os penduricalhos e seus significados como símbolos de luxo, identidade, proteção e emancipação. O desfile também destacou o balangandã como forma de poupança, utilizado historicamente para viabilizar alforrias e projetos de liberdade.
O samba-enredo foi assinado por Babby do Cavaco, Rafael Gigante, Marcelo Adnet, Hélio Porto, Jefferson Oliveira e André do Posto 7, com interpretação de Zé Paulo Sierra. A bateria teve comando de Mestre Paulinho Steves. Neste ano, a rainha de bateria Rayane Dumont representou as “joias da princesa”, conceito que deu nome à fantasia apresentada na avenida.
A apuração da Série Ouro do Carnaval está marcada para a próxima quinta-feira (19/02), a partir das 17h. O apoio institucional ao desfile ocorreu por meio da Secretaria de Turismo, Comércio, Indústria e Mercado Interno.
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