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Violência contra mulheres dispara no Rio e assédio no trabalho cresce mais de 20%

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Entre ruas marcadas pela insegurança e ambientes de trabalho impactados por denúncias, os dados mais recentes sobre a realidade das mulheres no estado do Rio de Janeiro revelam um cenário de múltiplas violências. Em 2025, foram registrados mais de 71 mil casos de agressões e mais de 140 mil processos por assédio moral, números que colocaram o tema no centro de uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa (Alerj), na última quarta-feira (18).

O encontro, promovido pela Comissão do Trabalho, discutiu a segurança das mulheres tanto em espaços públicos quanto no ambiente profissional, diante do aumento dos casos de feminicídio e da persistência da violência de gênero no estado.

Crescimento da violência e assédio no trabalho

Dados do Tribunal de Justiça colocam o Rio de Janeiro na quinta posição no ranking nacional de feminicídios. O volume de agressões ao longo do ano evidencia que a violência contra a mulher segue presente em diferentes contextos, dentro e fora de casa.

No mercado de trabalho, os números também chamam atenção. Segundo dados do Fundacentro e da Justiça do Trabalho, foram registrados 142.828 novos processos por assédio moral em 2025, um aumento de 22% em relação ao ano anterior. Já os casos de assédio sexual cresceram 40%, totalizando 12.813 novas ações. As mulheres representam cerca de 70% das vítimas.

Durante a audiência, foi destacado que o enfrentamento desse cenário passa pela ampliação de políticas públicas, garantia de direitos e melhores condições de trabalho, incluindo equidade salarial.

Violência doméstica e desigualdade estrutural

Especialistas apontaram que a sensação de insegurança está diretamente ligada à realidade das periferias, onde tiroteios frequentes impactam a rotina da população e restringem o direito de circulação, especialmente para mulheres.

Outro ponto de destaque foi o aumento dos casos de feminicídio dentro do ambiente doméstico, atingindo principalmente mulheres negras e periféricas. A estrutura de atendimento no estado também foi criticada, com apenas 14 delegacias especializadas e falhas no acompanhamento de medidas protetivas.

Falta de políticas públicas amplia vulnerabilidade

A ausência de investimentos em infraestrutura urbana, transporte e serviços públicos em regiões mais vulneráveis também contribui para o aumento da violência. Representantes de movimentos sociais defenderam que políticas de urbanização e inclusão social são fundamentais para reduzir riscos e proteger mulheres.

Relatos apresentados durante o encontro também associaram a violência à falta de oportunidades, destacando a importância de projetos voltados para jovens como forma de romper ciclos de vulnerabilidade.

Propostas para enfrentar a violência contra mulheres no RJ

Ao final da audiência pública, foram sugeridas medidas para fortalecer a rede de proteção às mulheres. Entre elas, estão a criação de um sistema integrado de dados entre saúde e segurança, ampliação de delegacias especializadas, reforço da Patrulha Maria da Penha e propostas de apoio a trabalhadores impactados por operações policiais.

O debate reuniu parlamentares, especialistas e representantes da sociedade civil, consolidando um diagnóstico preocupante: o estado do Rio de Janeiro enfrenta altos índices de violência de gênero e ainda precisa avançar em políticas estruturais para garantir segurança, direitos e qualidade de vida às mulheres.

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