A greve dos rodoviários do município do Rio de Janeiro entrou no terceiro dia nesta quarta-feira (1º) com impactos no transporte público, na rotina de trabalhadores e estudantes e sem um acordo entre a categoria e o sindicato das empresas de ônibus. Apesar de determinações judiciais para ampliar a circulação da frota, o serviço permaneceu abaixo do percentual estabelecido durante o horário de maior movimento.
Na tentativa de reduzir os prejuízos à população, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou que 80% da frota de ônibus estivesse em operação durante a paralisação, percentual superior aos 50% inicialmente fixados pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1). O descumprimento da decisão prevê multa diária aos sindicatos envolvidos. A justiça também estabeleceu que, caso seja comprovada a existência de conluio entre o Sindicato dos Rodoviários e o sindicato patronal com o objetivo de causar prejuízo aos cofres públicos, ambos poderão ser penalizados com multa diária de R$ 200 mil para cada uma das entidades.
Segundo o sindicato das empresas de ônibus, o Rio Ônibus, cerca de 1.500 coletivos circulavam nas primeiras horas da manhã, número inferior aos aproximadamente 2.880 veículos necessários para atender à determinação judicial.
Como medida para amenizar os efeitos da paralisação, a SuperVia informou o acréscimo de 30 viagens na malha ferroviária, enquanto o MetrôRio opera com reforço na oferta de trens. Já a Mobi-Rio registrou cerca de 361 ônibus articulados em circulação no sistema BRT, quantitativo superior ao observado nos dias anteriores, mas ainda insuficiente para absorver toda a demanda de passageiros.
A paralisação também atingiu instituições de ensino em diferentes regiões da capital. A ausência de linhas de ônibus e a superlotação de outros modais dificultaram o deslocamento de estudantes e servidores. Algumas unidades orientaram alunos a verificarem previamente o funcionamento das linhas que atendem suas localidades antes de saírem de casa. Em alguns casos, atividades presenciais foram prejudicadas.
Na terça-feira (30), após assembleia da categoria, foram registrados episódios de vandalismo na região central da cidade. De acordo com informações divulgadas pelas autoridades e pelo setor empresarial, aproximadamente 15 ônibus tiveram vidros e carrocerias danificados, enquanto motoristas que permaneceram em atividade relataram episódios de hostilidade durante o movimento.
Reivindicações da categoria
A greve tem como principal motivação o impasse nas negociações da campanha salarial. Entre as reivindicações apresentadas pelo Sindicato dos Rodoviários estão:
- reajuste salarial linear de 17%;
- piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais;
- piso de R$ 5 mil para condutores do sistema BRT;
- vale-alimentação de R$ 1 mil mensais;
- implantação de plano de saúde;
- substituição dos contratos temporários da Mobi-Rio por vínculos permanentes sob o regime da CLT.
Negociações seguem sem consenso
As negociações entre representantes dos trabalhadores e o sindicato das empresas permanecem abertas, porém ainda sem consenso sobre os aspectos econômicos da campanha salarial.
Segundo informações apresentadas durante as tratativas, o setor patronal ainda não apresentou uma contraproposta financeira considerada suficiente pela representação dos trabalhadores para atender às principais reivindicações da categoria, especialmente em relação aos percentuais de reajuste, pisos salariais e benefícios. Esse cenário tem mantido o impasse nas negociações e contribuído para a continuidade da paralisação.
Por sua vez, o Rio Ônibus afirma que permanece participando das negociações conduzidas pela Justiça do Trabalho em busca de uma solução para o conflito coletivo.

Justiça busca mediação
Diante do impasse, o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região convocou uma nova audiência de conciliação para esta quarta-feira com o objetivo de aproximar as propostas das partes e construir uma alternativa capaz de encerrar a greve.
Após a audiência, o Sindicato dos Rodoviários deverá apresentar o resultado das negociações em assembleia, quando os trabalhadores decidirão pela manutenção ou suspensão do movimento.
A atuação da Justiça do Trabalho busca conciliar a continuidade de um serviço considerado essencial com o direito de greve da categoria, priorizando uma solução negociada para o conflito coletivo.
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