Itaboraí recebe neste sábado (19) o evento Panorama Vermelho – A luta da mulher contra a violência, com debates sobre violência de gênero, direitos, rede de proteção e mecanismos de denúncia. A programação será realizada a partir das 9h, no auditório da 25ª Subseção da OAB, no Centro.
Promovido pelo Grupo OAF Assistencial, o encontro terá uma mesa-redonda com a presidente da Comissão OAB Mulher de Itaboraí, Amanda Souza; a coordenadora da Associação Abrigo Rainha Silvia, Claudineia Rosa Figueiredo; a psicóloga e sexóloga Pâmela Clarissa Lira; e a atleta de MMA Lorrayne Santos. A mediação será da CEO do OAF Assistencial, Karla Monielly Belchior.
Lorrayne também fará uma aula gratuita de defesa pessoal. Durante o evento será lançada a Cartilha Panorama Vermelho, com informações para ajudar mulheres a identificar situações de violência e buscar apoio. O material ficará disponível gratuitamente em formato digital após o encontro.
A programação também terá relatos de mulheres que romperam ciclos de violência. Claudineia Rosa Figueiredo, hoje coordenadora do Abrigo Rainha Silvia, conta que chegou à instituição grávida, em 1996, e encontrou apoio para reconstruir a própria vida.
“O abrigo pagou meus estudos, abracei todas as oportunidades. Me formei em Enfermagem e comecei a trabalhar no atendimento a mulheres que procuravam a instituição”, conta.
Segundo Claudineia, o contato com outras vítimas também a ajudou a reconhecer situações de abuso que havia vivido.
“Hoje, meu trabalho é ajudar outras mulheres a entenderem que elas não são culpadas das acusações dos seus agressores e que é possível construir um caminho diferente”.
Daiane Coutinho Silva, de 38 anos, também encontrou apoio no abrigo. Após passar por relacionamentos marcados por violência, ela destaca a importância da rede de acolhimento.
“Depois que saí do abrigo enfrentei outra relação marcada por violência doméstica por 14 anos. Mesmo reconhecendo o abuso, não conseguia romper o ciclo e foi preciso tratar o psicológico. Meus filhos e Claudineia me deram força para sair desse relacionamento e recomeçar. De volta ao abrigo, desta vez como professora mediadora da instituição, voltei a investir na minha carreira e me formo em Pedagogia em breve”.
A psicóloga e sexóloga Pâmela Clarissa Lira destaca entre os sinais de uma relação abusiva o ciúme excessivo, controle sobre roupas, amizades, redes sociais e dinheiro, isolamento, humilhações, ameaças e chantagens emocionais.
“O abuso também pode ocorrer de forma mais sutil, por meio de manipulação, culpa e desqualificação constante dos sentimentos e das decisões da mulher”, afirma.
Para a especialista, reconhecer a violência é um passo importante, mas a saída do ciclo pode exigir apoio psicológico e uma rede de proteção.
“Reconhecer racionalmente que se está em uma relação abusiva não significa, necessariamente, conseguir romper de forma imediata. O medo, a dependência emocional ou financeira, a baixa autoestima e padrões afetivos construídos ao longo da vida podem dificultar a saída desse ciclo”, explica.

Dados
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, maior número da série histórica. No Rio de Janeiro, apesar da pequena redução dos feminicídios, houve aumento nos registros de violência contra mulheres, incluindo violência psicológica, sexual e moral.
Em Itaboraí, o Núcleo Integrado de Atendimento à Mulher (NIAM) registrou 317 atendimentos em 2024 e 266 em 2025. Até junho deste ano, outras 179 mulheres já haviam procurado o serviço por diferentes situações de violência.

Serviço
Panorama Vermelho – A luta da mulher contra a violência
Data: 19 de setembro (sábado)
Horário: 9h
Local: Auditório da 25ª Subseção da OAB
Endereço: Rua São João, 139, Centro, Itaboraí
Mesa-redonda: Karla Monielly Belchior; Amanda Souza; Claudineia Rosa Figueiredo; Pâmela Clarissa Lira e Lorrayne Santos.
Programação: mesa-redonda, lançamento da Cartilha Panorama Vermelho e aula gratuita de defesa pessoal.
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