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Lula e Flávio Bolsonaro discutem dívidas dos brasileiros, salário mínimo e SUS e trocam ofensas e ataques

O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, participaram na noite desta sexta-feira (23) do debate da TV Globo. Os candidatos disputam o segundo turno das eleições presidenciais, e este foi o último debate entre Flávio e Lula antes do dia da votação, no domingo (25).

Flávio Bolsonaro e Lula trocaram críticas e apresentaram propostas sobre salário mínimo, aposentadorias, endividamento da população, investimentos no SUS, saneamento básico, infraestrutura e exportações.

O debate também foi marcado por ataques pessoais. Flávio chamou Lula de “nove dedos”, questionou se quem governava o país era o presidente ou o Google e disse que Lula “enrolou o povo brasileiro”. A referência ao Google foi decorrente dos pedidos do petista para que os eleitores procurassem temas na ferramenta de busca.

Lula, por sua vez, chamou o adversário de “miliciano”, afirmou que Flávio ficou “lambendo o Trump” durante a imposição de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e citou o caso Ana Clara, menina de 5 anos assassinada com um tiro de fuzil. O réu pelo crime é um policial que teve como advogado Flávio Bolsonaro.

Por blocos

PRIMEIRO BLOCO

Infraestrutura e exportações

O debate entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) teve início com o tema infraestrutura e exportação. Sorteado como primeiro a tratar do assunto, o candidato do PL questionou ao atual presidente sobre obras não concluídas.

“Neste ano, o TCU, Tribunal de Contas da União, acaba de soltar um relatório [que diz] que existem mais de 11.500 obras paralisadas do atual governo. Ou seja, o país voltou a ser um grande cemitério de obras”, afirmou Flávio.

Lula respondeu: “Penso que se o candidato conhecesse um pouco o Brasil, ele saberia que em nenhum momento na história do país se investiu tanto em obras de infraestrutura como nós investimos nos últimos anos”, disse. “E mais importante saber ainda é que nós herdamos 6 mil obras paradas.”

Em resposta, Flávio afirmou que vai “rasgar o Brasil de ferrovias” e prometeu concluir a Transnordestina para escoar a produção agrícola. “Eu vou fazer o eixo Sul da ferrovia que está faltando, ligando o Centro-Oeste até o oeste de Paraná, Santa Catarina.”

Lula disse que Flávio parecia um aluno que se prepara para o vestibular, que consegue decorar, mas não consegue aprender e listou obras de seu governo. “Nós estamos fazendo uma rodovia muito importante, que ninguém teve coragem de fazer, que liga Porto Velho a Manaus, que é a BR-319. Nós estamos fazendo a Transnordestina, a Fiol e a Fico. Não é que vão fazer: estamos fazendo”, disse, ao listar obras no RJ, SC e SP.

Sudeste e salário mínimo

Sorteada a região Sudeste, Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre a correção do salário mínimo em São Paulo e na região.

Na resposta, o candidato do PL afirmou que o atual governo seria responsável pela redução do poder de compra. “Ele joga a taxa de juro lá em cima e puxa a sua dívida junto. Lula, por que que você endividou o povo brasileiro desse jeito? Essa grande bola de neve continua enrolando o povo brasileiro”, disse Flávio Bolsonaro.

Em réplica, Lula reforçou que os governos do PT promoveram correção do salário mínimo acima da inflação. “Se não fosse o governo do PT, Lula e Dilma [Rousseff], se a gente não tivesse reajustado o salário acima da inflação, sabe o quanto seria o salário mínimo por conta do seu pai [Jair Bolsonaro] e do [Michel] Temer, que não aumentaram? Seria R$ 900”, disse o petista.

Lula questionou então o adversário sobre a proposta de tarifa zero nos ônibus aos finais de semana.

Flávio Bolsonaro se disse a favor da proposta, mas criticou a política tributária do atual governo, que, segundo o candidato, seria aumentada com a implantação da tarifa zero. “Agora, não adianta nada, Lula, o salário mínimo estar em 1.621 reais se você dá com uma mão e tira com os nove dedos.”

“Você implementou a carga tributária mais alta desse país na história. Até agora, com a reforma tributária, ninguém sabe quanto vai ser o valor do imposto de valor agregado, o IVA, que é o novo imposto que ele vai começar a cobrar a partir do ano que vem”, disse o candidato do PL.

Ao final, Flávio disse que reajustará o salário mínimo acima da inflação.

Centro-Oeste e exportações

Ao responder à pergunta de Flávio Bolsonaro sobre o que o governo Lula fez pelo Centro-Oeste e pelo agronegócio, Lula afirmou que sua gestão investiu mais no setor do que o governo de Jair Bolsonaro (PL).

Lula disse que o Brasil ampliou as exportações e a abertura de mercados internacionais. “Abrimos 700 novos mercados nesse país e aumentamos em 57 países uma média de 10 e meio, e é por isso que o nosso superávit comercial foi de quase 85 bilhões de reais. É só procurar, para vocês perceberem a bobagem que esse jovem fala quando vai debater.”

O presidente criticou a relação de Flávio Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao mencionar a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros. “Nunca se exportou tanto nesse país. É por isso que, quando o meu adversário ficou lambendo o Trump para taxar o Brasil, eu não fiquei preocupado. Se o Trump não quiser comprar do Brasil, eu vou vender para outros lugares.”

Flávio afirmou que os produtores rurais do Centro-Oeste enfrentam dificuldades para obter financiamentos. “Todos os agricultores reclamam porque, na hora de tomar um financiamento para comprar sementes, para plantar, para comprar maquinário, para poder investir no seu negócio ou para comprar animais, fica simplesmente impossível. É tanta burocracia, e o dinheiro que você coloca não é suficiente. Tanto é que eles não conseguem tomar o financiamento. O juro real chega próximo de 20%.”

O candidato do PL prometeu, se eleito, garantir recursos para o seguro rural e o Plano Safra, além de impedir o contingenciamento dessas verbas. “Eu vou garantir um reajuste acima da inflação. O meu governo vai ser um governo tecnológico.”

Lula criticou o discurso de Flávio sobre a cobrança de impostos e afirmou que o adversário repete argumentos utilizados pela elite econômica. “Ele tem um discurso: imposto, imposto, imposto, que é o que a elite faz todo santo dia.”

Sul e aposentadorias

O presidente Lula (PT) foi responsável pela pergunta dedicada à região Sul. Ao destacar a presença de aposentados na população da região, o petista perguntou se Flávio Bolsonaro (PL) garantiria reajustes acima da inflação para o salário mínimo e as aposentadorias.

Flávio disse que concederia o aumento: “Eu vou reajustar as aposentadorias acima da inflação.” Em seguida, acusou Lula de abandonar os gaúchos após as enchentes de 2024 e afirmou que o governo entregou menos de 30% do que havia prometido para a recuperação do Rio Grande do Sul.

O senador prometeu investir em bombas e comportas para prevenir alagamentos em Porto Alegre (RS) e ajudar o estado a enfrentar o endividamento. Disse que, se eleito, vai empregar a Marinha no combate ao tráfico no Porto de Paranaguá (PR) e fará investimentos nas rodovias federais de Santa Catarina.

Norte e saneamento básico

Ao tratar da região Norte, Flávio Bolsonaro fez uma pergunta a Lula sobre saneamento básico. O candidato do PL disse que cerca de 90 milhões de brasileiros não têm esgoto tratado nas casas e lembrou do Marco Legal do Saneamento Básico firmado no governo de Jair Bolsonaro.

“Fizemos este Marco Legal exatamente para que houvesse investimento e, até 2033, nós pudéssemos garantir que mais de 90% dos brasileiros tivessem acesso a esses dois bens básicos [esgoto e água tratados]. Sabe quem votou contra? A bancada do PT. Lula, por que vocês são contra levar água e esgoto tratado aos mais pobres?

Em resposta, Lula disse que Flávio “não conhece o Brasil”. “Não conhece. Acho que ele só ouviu falar de Manaus e da região Norte quando o pai dele apareceu na televisão rindo e imitando uma pessoa morrendo asfixiada porque não tinha oxigênio”, falou o petista, ao relembrar a crise na saúde no Amazonas durante a pandemia de Covid-19.

Flávio respondeu dizendo que estava com dificuldade de entender o que Lula estava falando e questionou se quem governa o Brasil é Lula ou o Google, pelo fato de o petista pedir para os espectadores checarem os fatos na plataforma. “Tudo pergunta para o Google, você não sabe me responder nada”, disse e, na sequência, prometeu investimentos do Marco Legal do Saneamento para a região Norte, se eleito.

O petista então criticou o governo Jair Bolsonaro. “Vocês estão lembrados que eles tinham um ministro do Meio Ambiente que dizia que era preciso abrir a porteira, passar por cima de tudo e não atender os indígenas, os quilombolas, fazer um mundo na Amazônia totalmente desprotegido?”, questionou Lula.

Nordeste e investimentos

Na última pergunta do bloco, voltada à região Nordeste, Lula destacou as medidas feitas por seus governos, como a Transnordestina, a transposição do Rio São Francisco, universidades, institutos federais, entre outros. Lula questionou as propostas do adversário para a região.

Flávio Bolsonaro respondeu que será “o carioca mais nordestino já visto na face da Terra”, e que o “Nordeste é solução”. O candidato do PL afirmou que o governo atual, junto a governos estaduais de esquerda, seria responsável pela entrada do Comando Vermelho na região, e questionou por que o petista teria permitido a situação.

Lula comentou, em réplica, sobre outros avanços do governo na região: indústria automobilística, 14 hospitais, uma unidade do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no Ceará, institutos federais e universidades.

Em resposta a Lula, Flávio afirmou que, caso seja eleito presidente, pretende governar para todo o país. “Eu vou ser presidente do Brasil, vou governar inclusive para você. Eu vou governar para o Nordeste. Vou governar, inclusive, em parceria com os governadores que não são aliados políticos meus.”

SEGUNDO BLOCO

Políticas sociais

Debate na Globo: Lula pergunta a Flávio sobre políticas sociais e licença-maternidade

No começo do segundo bloco do debate, Lula escolheu tratar de políticas sociais como o primeiro dos dez temas definidos para o debate. Ele questionou por qual motivo Flávio Bolsonaro, quando deputado estadual no Rio de Janeiro, votou contra o aumento da licença-maternidade de 180 dias.

Flávio disse que a votação foi há muito tempo e que votou “acreditando que isso poderia dificultar que as mulheres conseguissem arrumar emprego”. “E eu estava errado. Hoje, depois que eu casei, depois que tenho duas filhas, mais do que nunca eu sei da importância da mãe estar perto do filho por até mais de 180 dias, se possível”, disse o candidato do PL.

Na réplica, Lula disse que Flávio, quando teve a chance de votar a favor da lei, não votou. “É importante que cada brasileiro olhe: ele teve a chance de votar para aumentar o auxílio-maternidade e ele não votou. Agora que ele é candidato e sabe que as mulheres estão mais ativas, estão mais na vida política e estão brigando mais, ele vem aqui dizer ‘ah, agora eu vou votar [a favor].”

O petista perguntou por qual motivo Flávio Bolsonaro havia se referido ao Bolsa Família como “bolsa farelo” em declarações. “Sabe o que que é isso? É a falta de respeito com o povo pobre deste país”, disse Lula.

Ataques e ofensas

Flávio Bolsonaro chamou Lula de “nove dedos” ao comentar a proposta de tarifa zero nos ônibus aos fins de semana, durante uma discussão sobre o salário mínimo ainda no primeiro bloco do debate. “Agora, não adianta nada, Lula, o salário mínimo estar em 1.621 reais se você dá com uma mão e tira com os nove dedos”, afirmou o senador.

No segundo bloco, o presidente rebateu a provocação, chamou Flávio de “miliciano” e afirmou que perdeu um dedo em um acidente de trabalho aos 17 anos. “Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu, trabalhando à noite, quando eu não podia trabalhar. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos”, disse o petista.

Flávio teve direito de resposta por ter sido chamado de “miliciano”, mas não usou o tempo para rebater a acusação e falou sobre causa animal. Ao final do debate, afirmou que nunca foi investigado por causa de envolvimento com milícia. “Isso é coisa da sua cabeça”, afirmou se dirigindo a Lula.

Lula também teve um direito de resposta concedido, mas aproveitou o tempo para abordar outro assunto. O presidente afirmou que ainda há muito a ser feito no Brasil e lembrou que o país levou mais de 400 anos após o descobrimento para ter sua primeira universidade. Disse ainda que “quem tem que pedir desculpas ao Brasil é a elite brasileira” e defendeu que seu governo foi o que mais promoveu políticas de inclusão social na história.

Dívida pública

Flávio Bolsonaro escolheu dívida pública como tema para questionar Lula. O candidato perguntou por que os brasileiros mais pobres são, segundo ele, os mais prejudicados pelos gastos do governo, em razão da inflação e dos juros elevados. Lula, por sua vez, questionou o adversário sobre a independência do Banco Central. Flávio defendeu a autonomia da instituição, afirmando que ela serve para “evitar que presidentes sejam gastadores como você”.

Na réplica, Flávio Bolsonaro prometeu ajudar os endividados a pagar a dívida. “Eu vou comprar a sua dívida dos bancos e vou refinanciar pelo Banco da Prosperidade, que é a Caixa Econômica Federal. Quando eu compro essa dívida, ela já fica menor.”

Flávio também prometeu suspender temporariamente os pagamentos das dívidas refinanciadas, por seis meses para pessoas físicas e por um ano para pessoas jurídicas. “Você não vai pagar nada”, disse.

Na tréplica, Lula afirmou que Flávio Bolsonaro estava reproduzindo uma proposta de seu governo. O presidente disse que pretende comprar dívidas de consumidores por meio de leilões com bancos, com descontos de até 95%, e citou o perdão de quase R$ 15 bilhões em dívidas de 4,5 milhões de devedores.

“Ele fala que vai comprar a dívida dos devedores. Ele está copiando uma coisa que eu já mandei para o Senado”, afirmou Lula.

O presidente relacionou o endividamento público às taxas de juros e disse que o crescimento econômico é fundamental para reduzir a relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB). “Ninguém nesse país, ninguém, em nenhum momento da história, fez mais crédito do que nós fizemos. E o mérito não é meu, não. O mérito é do povo que reivindicou”, afirmou Lula.

Sistema Único de Saúde (SUS)

Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre como pretende melhorar o Sistema Único de Saúde (SUS) se promete, se eleito, cortes de gastos. O petista afirmou que Claudio Lottenberg, cotado pelo senador como eventual ministro da Saúde, já se posicionou contra a aplicação de mais recursos no SUS. “Como é que você vai melhorar a saúde? É com o tesouraço?”, perguntou o presidente.

Flávio não respondeu sobre investimentos no SUS. Criticou as filas de atendimento e a aplicação dos recursos no SUS. O senador citou a espera por consultas com neuropediatras e fonoaudiólogos e a falta de medicamentos nas unidades básicas de saúde. Também afirmou que os cortes seriam na corrupção, na burocracia e nos impostos.

Na réplica, Lula afirmou que o adversário havia dado apenas “meia resposta” à sociedade e voltou a cobrar explicações sobre o financiamento do SUS. O presidente também criticou a gestão da pandemia no governo Jair Bolsonaro, acusou o ex-presidente de debochar das vítimas e afirmou que a atuação do SUS e de seus profissionais evitou mais mortes.

Após a cobrança, Flávio afirmou que em um eventual governo faria investimentos no SUS. “Eu vou manter, sim, vou investir no SUS, sim.” O senador voltou a criticar as filas, desta vez para cirurgias de câncer de tireoide, e anunciou um compromisso com o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

TERCEIRO BLOCO

Endividamento dos brasileiros

Ao tratar de endividamento, Flávio Bolsonaro disse que o presidente Lula prometeu picanha para os brasileiros na campanha de 2022 e entregou abóbora. O candidato questionou se Lula considera que a comida está barata para os brasileiros.

Lula falou que o tema “é uma coisa muito séria” e citou os programas Desenrola feitos por sua gestão. “Nós vamos resolver o problema da dívida do povo porque nós queremos que o povo volte a consumir e a ganhar um pouco de dinheiro”, afirmou o presidente.

Ao dizer que o petista “enrolou o povo brasileiro” com o Desenrola, Flávio afirmou que mais de 80 milhões de brasileiros estão com as contas atrasadas por conta “dos juros altos e da gastança do governo”. “O brasileiro, antes, parcelava um fogão, parcelava um micro-ondas, uma geladeira, agora parcela o que está dentro da geladeira”, disse o senador.

Na réplica, o presidente afirmou que enviou uma medida provisória para fazer leilão que pode chegar a mais de R$ 150 bilhões para comprar as dívidas dos bancos. “O que nós queremos é fazer com que a economia seja reativada, as pessoas comecem a trabalhar, a ganhar dinheiro”, afirmou Lula.

Ensino integral

Lula questionou Flávio sobre propostas para o ensino integral no Brasil.

Flávio respondeu dizendo que o petista zerou o orçamento federal para o ensino integral e que buscará fazer, se eleito, “o que Lula não fez”. O candidato do PL então mudou de assunto, afirmando que o petista seria o responsável pelas bets no país.

“O atual presidente da República tem dois filhos que fizeram muito mal ao país: o Lulinha e o Tigrinho. Ele é o pai do Tigrinho, ele é o pai do Cassino online. Ele criou, e chegando perto da eleição, ele vai e cancela achando que vai enganar você, e ainda prejudicou o time de futebol, acabou com a segurança jurídica nesse país”, disse o candidato do PL.

Flávio então perguntou por que Lula teria zerado o orçamento no ensino integral.

Na réplica, Lula afirmou que as apostas foram criadas no governo Jair Bolsonaro. Lula destacou as medidas dos governos petistas para educação, ressaltando as gestões na pasta de Fernando Haddad e Camilo Santana. Lula prometeu, se reeleito, 100% de escolas integrais em todo o país. Prometeu também a universalização do Programa Pé-de-Meia, inclusive para universitários. O petista afirmou que o programa fez com que 66% dos estudantes continuassem na escola.

“Todo mundo sabe que nós encontramos 5.600 creches paralisadas, escolas em tempo integral e Institutos Federais paralisados. O ministro Camilo sabe o que ele teve que fazer pra reconstruir tudo isso por uma irresponsabilidade de um governo que não acreditava em educação e que não acredita, porque não investiram”, afirmou Lula.

Em tréplica, Flávio afirmou que manterá o Pé-de-Meia caso seja eleito. O candidato do PL apresentou propostas de vale-creche, cursos de tecnologia e jogos eletrônicos e defendeu parcerias entre a rede pública e privada.

Retomada de territórios e violência

Ao perguntar sobre a retomada de territórios dominados pelo crime organizado, Flávio Bolsonaro questionou Lula sobre as saídas temporárias de presos, a redução da maioridade penal e a classificação de facções criminosas como organizações terroristas.

Em resposta, Lula mencionou a morte de Ana Clara, uma menina de 5 anos atingida por um tiro de fuzil e questionou a atuação de Flávio Bolsonaro como advogado do policial réu pelo crime. “O que leva um senador a defender um policial que deu um tiro de fuzil numa menina de cinco anos? Explica, que território é esse? O território da bala?”, questionou.

Na réplica, Flávio Bolsonaro usou o nome “Ana Clara” para se referir à mãe da menina, Cristiane Silva: “Sabe o que aconteceu ali? É um território dominado por esses narcoterroristas que ele [Lula] defende. Ana Clara, eu quero falar pra senhora, prestar de verdade a minha solidariedade.”

O candidato do PL prosseguiu: “Eu quero ajudar a senhora, inclusive, a saber quem foi o autor desse disparo. Porque eu tenho a confiança de que não foi esse policial. Ele sequer foi julgado ainda.”

Flávio prometeu classificar o PCC, o Comando Vermelho e as milícias como organizações narcoterroristas, além de endurecer as penas para integrantes desses grupos. Segundo ele, os chefes das organizações poderiam receber condenações de até 80 anos de prisão.

O candidato também defendeu pena mínima de oito anos para furto de celular, trabalho obrigatório nos presídios, redução da maioridade penal para 16 anos – e para 14 anos em casos de estupro -, além de castração química para condenados por crimes sexuais. “Eu vou tratar bandido como bandido. A redução da maioridade penal vai acontecer finalmente no Brasil.”

Na tréplica, Lula criticou o histórico político de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro. O presidente mencionou a atuação do senador na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), a concessão de homenagens e a contratação de familiares de pessoas ligadas a grupos investigados. “Todo mundo sabe o discurso dele na Assembleia Legislativa, defendendo miliciano, oferecendo condecoração para miliciano, dando emprego para a mãe do chefe do Gabinete do Ódio e para a irmã”, afirmou.

Lula também afirmou que Flávio Bolsonaro pretende permitir a participação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no combate ao narcotráfico no Brasil. “Quando ele fala do narcotráfico, é porque ele quer entregar para o Trump cuidar daqui. Ele quer entregar para o Trump. E eu quero cuidar do território aqui.”

O presidente defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e prometeu criar um ministério específico para a área, além de fortalecer a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. “Para o trabalhador da segurança, proteção; para o bandido, cadeia”, afirmou Lula.

QUARTO BLOCO

Neste último bloco, o debate da Globo tinha tema livre, e cada candidato teve oito minutos de fala, sem limite de intervenções do adversário.

Relação com Willer Tomaz e ilha de Richarlison

Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre a disputa envolvendo uma ilha em Angra dos Reis (RJ), comprada pelo atacante da seleção brasileira Richarlison. O petista afirmou que o advogado Willer Tomaz, ligado a Flávio, teria conseguido a titularidade do imóvel em apenas uma semana, enquanto o jogador ainda aguardava a regularização da propriedade.

“O outro cidadão, que era amigo do meu adversário, advogado e que tinha indicado o diretor da SPU [Secretaria do Patrimônio da União], em apenas uma semana conseguiu o título da propriedade. Queria que me explicasse como vocês tomaram a ilha do Richarlison”, disse Lula.

Flávio negou irregularidades e afirmou que o caso já foi investigado pela Justiça, com decisão definitiva. Também disse que Willer é seu amigo, mas não seu sócio. “Essa ilha nunca foi do Richarlison. E outra coisa, o Willer é um amigo, não é meu sócio. O sócio dele é o seu advogado, o ex-ministro da Dilma, chamado Eugênio Aragão”, respondeu.

Na réplica, Lula insistiu na ligação entre Flávio e Willer e afirmou que o advogado teria obtido a autorização em uma semana por meio de um coronel do Exército indicado pelo adversário, enquanto Richarlison ainda aguardava a documentação da ilha.

Flávio negou ter indicado qualquer pessoa para o cargo e classificou a acusação como “coisa da cabeça” de Lula. Em seguida, dirigiu-se ao jogador e afirmou que ele teria sido enganado na negociação.

“Você está tomando volta do seu empresário. Você comprou a sua ilha de um invasor de terra, comprou do MST”, disse Flávio.

Uísque, raspagem de balas e ‘Dark Horse’

Flávio Bolsonaro criticou a PEC da Segurança, apresentada pelo atual governo, e questionou qual a raiva que Lula teria da polícia. O petista reforçou querer saber a relação entre Willer Tomaz e o candidato do PL no caso da compra da casa do jogador.

Flávio respondeu que não tem relação com o caso, e mudou de assunto, afirmando que o presidente teria recebido uma garrafa de uísque da marca Macallan no valor de R$ 500 mil de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master e atualmente preso. O petista respondeu que Flávio e Vorcaro parecem “uma coisa só”.

Lula então questionou por que Flávio, quando era deputado estadual, votou para que balas perdessem identificação. Flávio afirmou que o caso sequer foi aprovado, e mudou de assunto, voltando para a garrafa de whiskey supostamente recebida por Lula.

O presidente disse então que Flávio Bolsonaro teria tomado uma garrafa de uísque em 2020 com representantes da vacina indiana Covaxin durante a pandemia de Covid-19. Flávio negou.

O presidente falou sobre a relação de Flávio com Vorcaro. “Quem é filhote do Vorcaro é você, quem aceita dinheiro do Vorcaro é você, quem pegou R$ 134 milhões do Vorcaro e até agora não apareceu é você, não me coloca nessa vala comum”, disse Lula.

Flávio disse que Vorcaro deu dinheiro para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, e citou um suposto relatório da Polícia Federal sobre o caso.

“Esse relatório da polícia está dizendo que não teve contrapartida nenhuma pelo fato de eu ser senador da República. E outra, o dinheiro passou pelo Banco Central, foi tudo direitinho”, afirmou o candidato do PL.

Flávio questionou Lula sobre um áudio em que Vorcaro diz que teria doado valores para um filme sobre Lula. O petista negou.

Caso Master

Lula acusou Flávio Bolsonaro de ter ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. “Esse cidadão e a turma dele criaram um banqueiro chamado Vorcaro, do Banco Master, e eu prendi”, afirmou o presidente.

Em resposta, Flávio negou ter uma relação de parceria com Vorcaro e afirmou que o empresário era investidor de um filme privado, sem recursos públicos ou da Lei Rouanet. O candidato acusou um assessor do ministro Alexandre Padilha de articular investimentos de fundos de pensão da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e dos Correios no Banco Master.

Lula contestou as declarações do adversário. Retomou acusações relacionadas às negociações para a compra da vacina Covaxin durante a pandemia de Covid-19. O presidente afirmou que Flávio Bolsonaro participou de uma reunião em um barco com dois empresários no período em que o Brasil registrava 100 mil mortes pela doença. O passeio foi noticiado pela revista Piauí nessa semana.

“Ele estava no barco, negociando com dois empresários. Eu sei até o nome das pessoas. E ele sabe. Disse que não estava, ele estava. Não sei que negociata era. O dado concreto é que a vacina não veio”, afirmou o presidente.

As considerações finais de Lula

“Olha, eu quero agradecer ao povo brasileiro pela paciência e pedir desculpas por coisas que vocês viram aqui que não mereciam ouvir.

E pedir outra vez para o Google. Ver quem é que gastava mais no cartão corporativo, se foi o mandato do Lula ou o mandato do Bolsonaro. Pesquisem e publiquem amanhã, para vocês saberem quem está mentindo outra vez. Eles gastaram quase 30% a mais do que nós.

Agora, eu queria dizer para vocês que domingo é o dia decisivo para esse país. Domingo é o dia em que vocês vão se dirigir à urna e vão escolher o país que vocês querem e o presidente que vocês querem.

Eu sou um homem que tem biografia, tem história, tem uma luta junto com vocês há muito tempo.

Comecei a trabalhar com 12 anos de idade. Vendi tapioca, vendi laranja, vendi amendoim, vendi sardinha. Trabalhei de engraxate, torneiro mecânico e virei presidente da República. E vocês sabem o que nós fizemos juntos.

Eu queria, primeiro, agradecer a vocês por tudo que vocês fizeram e pedir o voto de vocês no domingo. Porque ou a gente mantém a democracia funcionando ou a gente vai ter um miliciano governando esse país dentro do Palácio do Planalto, o que não é bom para ninguém.

Não façam essa experiência. O Brasil vai se arrepender.”

As considerações finais de Flávio Bolsonaro

“Bom, em primeiro lugar, eu quero agradecer a Deus por ter chegado até aqui. Eu rodei esse Brasilzão todo e ouvi muitas histórias. Eu quero agradecer a você que me abraçou, que me beijou, que mandou um abraço forte para o presidente Bolsonaro, que está sendo injustiçado, que está confiando, que está dando o seu voto de confiança em mim.

Eu vou honrar o seu voto e quero aqui me comprometer com três coisas. Primeiro, que eu nunca vou prometer aquilo que eu não puder cumprir. Em segundo, que eu vou devolver o seu poder de compra: você vai voltar a ter dinheiro no bolso. Em terceiro, que eu vou, de verdade, lutar pela sua liberdade, pela soberania do Brasil, para você voltar a andar em paz nas ruas.

Agora, faz uma reflexão aqui comigo: a sua vida melhorou ou piorou nos últimos quatro anos? Eles tiveram a oportunidade de fazer por quase 20 anos e não fizeram. Você tá andando com mais ou menos medo na rua? Você tá andando com mais medo. Você está devendo mais ou menos por causa do atual governo? Você está devendo mais.

Então, eu quero te pedir humildemente: vote em Flávio Bolsonaro, 22, pelo futuro, pelo futuro da nossa nação, pelo futuro do nosso Brasil, pelo futuro da sua família, pelo seu futuro, pelo futuro dessa criança que está aí, a esta hora, já ao lado, dormindo.

O Brasil tem futuro. Eu quero agradecer de coração a cada um de vocês. Bota 22 na urna, olha no meu olho naquele momento, só nós dois. Não aceite ameaças.

Eu quero encerrar aqui pedindo que você, em casa, reze um Pai-Nosso para que a nação brasileira possa se sentir tocada por Deus e tomar a decisão correta no domingo.”

*Com informações do G1

O post Lula e Flávio Bolsonaro discutem dívidas dos brasileiros, salário mínimo e SUS e trocam ofensas e ataques apareceu primeiro em ErreJota Notícias.

Fonte: https://errejotanoticias.com.br/lula-e-flavio-bolsonaro-discutem-dividas-dos-brasileiros-salario-minimo-e-sus-e-trocam-ofensas-e-ataques/. Data original da fonte: 24/10/2026 12:14 UTC. Capturado em: 24/10/2026 13:00 UTC.

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