
O mercado de carros elétricos e híbridos plug-in segue em expansão no Brasil, mas o avanço da tecnologia vem acompanhado de uma preocupação crescente no estado do Rio de Janeiro: o aumento nos casos de roubos e furtos desses veículos. Na contramão do cenário nacional, os índices vêm subindo no estado, com destaque para o município de São Gonçalo, que lidera o ranking de ocorrências.
Segundo dados do Sindicato das Seguradoras do Rio de Janeiro e do Espírito Santo (SindSeg RJ/ES), a taxa de roubos e furtos de veículos eletrificados já supera a de carros a combustão. Em 2026, a frequência chegou a 3,85% entre elétricos e híbridos plug-in, enquanto os veículos tradicionais registraram cerca de 2,17%.
Ao todo, foram contabilizados 5.351 casos de roubo ou furto de veículos segurados neste ano, sendo 364 envolvendo modelos eletrificados — o equivalente a 7% das ocorrências.
Crescimento da frota e da criminalidade
A procura por veículos elétricos e híbridos tem aumentado, impulsionada por fatores como economia, inovação e menor impacto ambiental. Estimativas apontam que o estado do Rio já conta com cerca de 60 mil veículos eletrificados.
No entanto, o crescimento da frota também tem sido acompanhado por um aumento expressivo na criminalidade. De acordo com o SindSeg RJ/ES, houve alta de 79% nos casos envolvendo esses veículos em comparação com o mesmo período de 2025.
Em março do ano passado, foram registrados 58 casos, número que saltou para 104 neste ano.
Regiões mais afetadas
As ocorrências variam conforme a região, com maior concentração na Baixada Fluminense e na Zona Norte do Rio. Além de São Gonçalo, municípios como São João de Meriti, Belford Roxo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu e a capital também aparecem entre os mais afetados.
Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) reforçam o cenário preocupante em São Gonçalo. Apenas nos dois primeiros meses de 2026, foram registrados 432 roubos de veículos, contra 342 no mesmo período de 2025 — um aumento de 26%.
Motivos para o aumento
Especialistas apontam que o crescimento dos crimes está ligado tanto à expansão da frota quanto à valorização desses veículos no mercado ilegal. Peças específicas e o uso dos carros em outras práticas criminosas também contribuem para o aumento das ocorrências.
Além disso, o cenário pode impactar diretamente o custo do seguro, fator cada vez mais relevante na decisão de compra dos consumidores.
Mercado segue em alta
Apesar da alta nos índices de criminalidade, o mercado de veículos eletrificados continua em crescimento no Brasil. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que, somente em março, foram vendidas 35.356 unidades no país, um aumento de 42%.
Entre os modelos 100% elétricos, foram comercializadas 14.073 unidades, com destaque para o BYD Dolphin Mini, o Dolphin e o Geely EX2. Já no segmento de híbridos, foram 21.283 unidades vendidas, lideradas pelo BYD Song Pro, GWM Haval H6 e BYD Song Plus.
A expectativa do setor é que, apesar dos desafios relacionados à segurança, a tendência de crescimento da frota continue nos próximos anos, acompanhando o avanço da mobilidade sustentável no Brasil
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